Coronel Fabriciano

Fotógrafo: Rodrigo Zeferino

Onde o aço aprende a rezar, cozinhar e contar causos

No coração do Vale do Aço, há uma cidade que não se explica apenas pelo trabalho, mas pelo batuque, pela fé e pelo cheiro de comida boa vindo da serra.

Há cidades que nascem de um mapa. Coronel Fabriciano nasceu de um chamado. Primeiro veio o rio, depois o trilho, depois o povo. E o povo, como sempre em Minas, tratou logo de misturar labuta com festa, devoção com conversa fiada, seriedade com um certo riso de canto de boca.

Berço do Vale do Aço — título que pesa e orgulha —, Fabriciano aprendeu cedo que progresso sem alma enferruja. Por isso, enquanto o aço corria quente nas usinas vizinhas, a cidade foi cuidando do que não se mede em tonelada: a tradição, o encontro, a memória partilhada.

Quem chega percebe logo: aqui a cultura não mora em prateleira. Ela anda. Ela dança. Ela canta. A Marujada, com seus passos ancestrais, não é encenação — é herança viva, passada como se passa uma bênção. O Batuque não pede licença: convoca o corpo, chama o chão, acorda o passado. A Noite da Prosa, essa invenção tipicamente mineira, prova que palavra falada também é patrimônio: gente reunida para ouvir e contar, como quem costura o mundo com histórias.

E há sabores que dizem tanto quanto discursos. O Festival Rota dos Sabores é menos evento e mais confissão coletiva: cada prato traz a mão da roça, o tempero da serra, o saber das cozinhas que nunca precisaram de receita escrita. Comer em Fabriciano é um ato de reconhecimento — da terra, do produtor, da cultura.

A fé, por sua vez, não se esconde. Ela se anuncia nos sinos da Igreja Matriz de São Sebastião, uma das primeiras da cidade, guardiã silenciosa de batismos, despedidas e promessas. Está também nas celebrações do Rosário, na Semana Santa que caminha entre sombras e velas, no Corpus Christi que borda o chão com cores, e no Festival Gospel, onde a música vira ponte entre o céu e a praça.

Os marcos históricos ajudam a contar essa história sem pressa. O Colégio Angélica, com sua fachada preservada desde 1950, parece observar o tempo passar com a serenidade de quem já viu muitas gerações crescerem. O Monumento Terra Mãe, marco zero fabricianense, lembra que tudo começa no chão — e é a ele que sempre se retorna.

Mas Fabriciano também chama para fora. Para cima. Para o verde. A Serra dos Cocais não é cenário: é personagem principal. Entre bromélias e orquídeas que brotam como resistência delicada, o turista encontra trilhas que testam o fôlego e renovam o espírito. Cachoeiras escondidas, paredões de escalada, caminhos de trekking, rotas de mountain bike, trilhas 4×4 — a serra oferece aventura, mas exige respeito. Aqui, a natureza não é atração: é parceira.

Coronel Fabriciano não se vende como destino; ela se oferece como experiência. Uma cidade onde o aço aprende a escutar o tambor, onde a serra tempera o prato, onde a conversa ainda vale mais do que a pressa. Quem passa, sente. Quem fica, entende. E quem entende, sempre volta.

O atual quadro de conselheiros, titulares e suplentes está assim constituído:

  • Titular

    Daniel Nunes Linhares Papa

  • Suplente

    Marlon Dalta de Freitas

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