A tão sonhada recuperação da Ponte Queimada, que limita os municípios de Marliéria e Pingo D’Água, na entrada do Parque Estadual do Rio Doce (Perd) deve estar concluída até o final de março. A informação é da deputada federal Rosângela Reis, que recentemente destinou R$ 1,3 milhão, através de emenda parlamentar, para as obras, sendo que 40% da extensão da passagem já está recuperada.
Usada por grande número de pessoas, seja para o turismo, lazer, ações de salvamento e combate a incêndios, escoamento de produtos, assim como para o ir e vir de muitos trabalhadores, a ponte, cuja construção original data do século XVIII, foi Interditada há cerca de três anos, por oferecer riscos à segurança.
A visita da deputada Rosângela Reis foi acompanhada pelos prefeitos Hamilton Lima Paula, de Marliéria; Márcio Lima Paula, de Jaguaraçu, e Artur Marquiole, de Pingo D’Água, além dos presidentes das Câmaras Municipais de Pingo D’Água, Leônidas Júnior, o Gazão, e de Marliéria, Messias Miranda. Ainda, os vereadores Ramon Ferreira, Roberval, Maurinho e Beto Broa, de Marliéria, e Tales Guerreiro, de Córrego Novo.
Rota do ouro
A Ponte Queimada, inicialmente mais rudimentar e erguida a uma altura menor, mais sujeita a inundações, recebeu esse nome devido a um incêndio ocorrido na estrutura por volta de 1794. Entre as versões mais aceitas, o fogo teria sido posto por indígenas, para impedir a passagem de desbravadores, ou por conta de fugas de prisioneiros na época. A ponte faz parte de uma estrada antiga, construída por volta de 1782 por ordem do governador da Capitania de Minas, D. Rodrigo José de Menezes, para ligar Vila Rica (atual Ouro Preto) à região do Rio Cuieté, onde se buscava ouro.
Ainda segundo relatos, a ponte foi reconstruída na década de 1930, recebendo reforços de pilares de concreto e vigamento de ferro, sendo então uma estrutura importante para o escoamento de materiais, incluindo carvão para abastecimento de fornos da Acesita – Companhia Aços Especiais Itabira, em Timóteo, fundada em 1944. Em tempos mais recentes, a passagem voltou a ser danificada por novos incêndios criminosos que destruíram partes significativas do tablado de madeira, impossibilitando a travessia e causando danos também ao Parque Estadual do Rio Doce.
Restauração
A obra em curso envolve a substituição e parafusação de todos os dormentes da ponte, numa extensão de 136 metros. Em ambas as laterais são instalados guarda-corpos com mastros e cabos de aço. Para tráfego dos veículos, a ponte terá dois largos rodeiros de 90cm cada, separados por um vão de 80cm no centro.
Além de Marliéria, Pingo D’Água e Córrego Novo, a Ponte Queimada tem em seu entorno o município de Bom Jesus do Galho. A Lagoa Tiririca, muito acessada para pesca, camping e esportes aquáticos, entre outros atrativos, fica bem próxima, cerca de 3km.
Portal e placa
“Desde o nosso último mandato como deputada estadual – lembrou Rosângela Reis – buscávamos junto às lideranças locais um consenso sobre como revitalizar a Ponte Queimada, ao mesmo tempo em que nos orientávamos quanto ao dimensionamento do aporte de recursos necessário”. Ela acrescentou: “É uma grande satisfação poder contribuir para o fortalecimento do turismo na região, garantir mais mobilidade a centenas de pessoas, possibilitar mais agilidade para socorro de doentes e organismos de segurança, sem contar, é claro, o aspecto de preservar esse importante marco histórico do Vale do Aço. Em nosso encontro aqui hoje, com amigos prefeitos e vereadores das cidades diretamente beneficiadas, discutimos também a instalação de um portal na entrada da ponte e, ainda, a confecção de uma placa que deverá eternizar esse precioso bem cultural que não é apenas nosso, mas de toda Minas Gerais”.
A deputada ainda revelou: “Uma antiga placa em português bem arcaico, com menções ao militar francês Guido Marlière, nomeado pelo império para atuar na política indigenista, especialmente no Vale do Rio Doce, mediando conflitos e organizando aldeamentos, foi furtada do local, mas felizmente temos os dizeres preservados e pretendemos revigorá-la”.






