Jacutinga reaparece no PERD após meio século e reforça esforço de conservação

Após mais de 50 anos sem registros, a jacutinga voltou a ser vista no Parque Estadual do Rio Doce, em um marco simbólico para a fauna da Mata Atlântica. A ave, considerada rara e ameaçada, foi identificada dias após uma nova soltura realizada na região de Ponte Perdida, no município de Bom Jesus do Galho. O reaparecimento confirma sinais concretos de recuperação ambiental em uma das áreas mais sensíveis do estado.

O registro é resultado direto das ações conduzidas pela Cenibra, em parceria com a CRAX Brasil, dentro do chamado Projeto Mutum. Desde o início da iniciativa, mais de uma centena de indivíduos já foi reintroduzida na natureza, com foco na recomposição de espécies desaparecidas. A estratégia combina pesquisa científica, manejo controlado e criação de corredores ecológicos para garantir adaptação e sobrevivência.

Além do valor simbólico, a volta da jacutinga tem impacto direto no equilíbrio ambiental. A espécie atua como dispersora de sementes e contribui para a regeneração da floresta, hoje pressionada por incêndios e caça ilegal. O novo registro indica que o esforço de décadas começa a produzir resultados visíveis — e reforça a tese, já antiga, de que conservação exige persistência, método e tempo.

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